Contam, os mais antigos, que havia numas
terras daqui, um fazendeiro chamado Epaminondas, viúvo e muito rico, que tinha
um filho único. O fazendeiro vivia preocupado com o futuro de seu filho, pois,
o rapaz, só pensava em farrear com os muitos amigos que tinha na cidade.
Amigos, diga-se, sem escrúpulos, que queriam apenas aproveitar da gastança do
rapaz. De modo, que cada vez mais, o pai constatava que sua fortuna, logo,
logo, acabaria.
Não
foram poucas às vezes que Epaminondas tentara aconselhá-lo, implorando que
renunciasse a vida ociosa. Dizia que os amigos se multiplicavam, porque ele
tinha dinheiro no bolso, mas ao primeiro sinal de que esvaziara, eles
desapareceriam. Mas, o rapaz não dava ouvidos ao pai.
Tempo
vai e o dinheiro, gradativamente, desaparecia. Epaminondas, já velho,
pressentindo estar por findar seus dias, tenta encontrar um meio para que, após
sua morte e o fim de sua fortuna, seu filho não fique na miséria.
Um
dia, ele retira duas ripas do teto do seu quarto, enche um jarro de cerâmica com
moedas de ouro e o coloca no vão do teto. A seguir, entre as duas ripas faz um
furo, de modo que passe uma corda cuja ponta fez um forte nó para que esta
ficasse pressa nas ripas. Depois recoloca as duas ripas no seu devido lugar e
usa dois preguinhos para fixá-las. Na outra ponta da corda fez uma laçada de
forca e, assim, deixou. Por fim, chama o filho e diz: “Meu querido filho, estou
morrendo. Vou te dar o meu último conselho; imploro que você o siga. Quando
acabar o dinheiro, quando teus amigos desaparecerem, quando ficar pobre de
verdade e desesperado, enforca-te com essa corda e pense no seu pai, que tanto
gosta de você.”
Não
passou muito tempo, Epaminondas faleceu. O filho depois alguns dias de luto e
de lágrimas, volta à vida desregrada de farras e gastanças.
Também,
não demorou muito, tudo o que seu pai havia acumulado com tanto sacrifício, se
foi, que nem fumaça. O que Epaminondas temia acontecera. O filho estava pobre,
sem dinheiro e sem saber como viver dali em diante.
Busca
auxílio dos amigos de farra aos quais tanto ajudou. Mas, estes, o abandonam e
vão à procura de outro otário endinheirado.
Para
piorar a situação, o rapaz se vê na ingrata obrigação de trabalhar; e o mais
que acha, na cidade, é o emprego de carregador de caminhão. Para quem nunca
trabalhou e só se divertiu, carregar peso era algo que ele não ia suportar. Com
poucos dias abandona o emprego.
Desesperado,
sem dinheiro, sem emprego sem o que comer, lembra-se das últimas recomendações
de seu pai e decide: ”Não há melhor dia para me enforcar”.
Vai
até o quarto, sobe num banquinho, enfia a laçada da corda no pescoço e derruba
o banquinho com o pé para enforcar-se. Fica pendurado, por alguns segundos,
pela corda, com a laçada a apertar-lhe o pescoço. No entanto, as duas ripas,
que estavam presas apenas pelos dois preguinhos, cedem ao peso do rapaz e vem
de cima abaixo; junto o jarro de moedas, que se espatifa no chão.
Nesse
instante ele entendeu o intuito de seu pai, ao colocar esse tesouro, prevendo
os dias difíceis que teria de passar e o agradeceu do fundo do coração. Daí em
diante, decide mudar de vida e tornar-se o filho que o seu pai tanto sonhara.
Comentários
Postar um comentário